Medi̯ogi̯amos

Sumário
Nome reconstruído: Medi̯ogi̯amos e/ou Lītus Gi̯amī.
Data atestada: Proximidades do solstício de inverno.
Data sugerida: Solstício de inverno, no 3º mês do calendário de Coligny (Riuri).
Deuses honrados: Deusa da Soberania, Gémeos Divinos, Deus Campeão, Deusa da Aurora e Lareira (?), Deus da Juventude.
Práticas específicas: Procissão liderada por um ídolo da Deusa da Soberania, possivelmente acompanhada por Deuses que a ajudam a chegar até Andedumnos. Oferendas aos Deuses viajantes. Limpeza das lareiras.

Apesar de alguns gritarem de horror ao lerem que os povos Celtas podem ter celebrado o solstício de inverno, para seu desprazer, não existem apenas teorias de que tal foi feito, mas também várias provas epigráficas – no continente – e folclóricas – nas ilhas.

O motivo mais popular desta época festiva é o que se centra à volta de um mito, provavelmente de cariz pan-Celta, que envolve [geralmente] a Deusa da Soberania. Na Gália temos uma prova de que um costume Gaulês foi adotado parcialmente pelo império Romano: trata-se da tradição de honrar a dita Deusa, sob o teónimo Eponā, no inverno. Atestada numa inscrição em Guidizzolo, uma cidade italiana na região de Lombardia (que outrora pertenceu à Gália Cisalpina), pode ler-se;

XV Kalendas Ianuarius Eponae

Ou seja, 15 dias antes do começo do mês de janeiro – dedicado a Ianus – teríamos o dia do festival romanizado em honra a Eponā, no dia 18 de dezembro. É desconhecido se algum empréstimo ritual Gaulês teria sido incluído nas celebrações Romanas, mas é provável que o rito em si tenha sido celebrado de acordo com o modelo litúrgico Romano. Hoje em dia, é comum o festival ser chamado de Eponālia – termo não atestado – por causa da tradição romana de anexar o sufixo adjetival e derivativo -alia para dar nome a um dia festivo (como Cerēālia, o festival de Cerēs).

Contudo, os mitos referidos não se figuram somente na Deusa da Soberania (ou outra sua substituta), apesar esta ser a personagem principal. No geral, parece ter existido toda uma temática relativa às relações conjugais de uma Deusa regente e das consequências das ditas cujas.

Teologia I – os casos insulares

Primeiramente, os exemplos de Gales – detalhado no Primeiro Ramo do “Mabinogi” – em que somos apresentados a Rhiannon, casada com Pwyll, com o qual tem um filho. Contudo, a criança é raptada e Rhiannon é falsamente acusada de ter morto a criança, vendo-se forçada a aceitar a pena de transportar pessoas nas suas costas como se fosse uma égua. Certo dia, um bebé chamado Gwri aparece no lugar de um potro, na propriedade de Teyrnon, que é quem o descobre e adota. O bebé cresce rápida e prodigiosamente e é eventualmente devolvido a Rhiannon e Pwyll como seu filho perdido, ao qual chamaram Pryderi, que significa ‘cuidado’ ou ‘angústia’ (“Celtic Culture – A Historical Encyclopedia”, pág. 1499).
Outro conto semelhante é o de Modron ou Madrun, cujo filho – Mabon – lhe foi roubado quando tinha apenas 3 noites de idade e, mais tarde, foi salvo pelo mítico rei Artur, in “Culhwch ac Olwen”. Mydron, mãe de Mabon no “Pa Gur yv y Porthaur” é, claramente, a mesma figura que Modron. É curioso que no “Pa Gur yv y Porthaur” Mabon é chamado Mabon am Melld, que Koch traduz como ‘Mabon filho do Relâmapago’; esta raiz encontra-se catalogada em “Proto-Celtic – English Word List”, na página 59, como *melto-. Significa isto que Mabon seria filho (adotivo?) de um Deus do Trovão/Tempestade?
Tendo estabelecido os paralelos entre as duas principais versões da mitologia de Gales, devo afirmar que subscrevo a teoria de Eric P. Hamp (“Mabinogi”, pág. 243), que afirma o “Mabinogi” teria sido, originalmente, focado na história de Mabon fab Melld, sendo que Pryderi seria um nome alternativo, talvez mais recente, para o primeiro.

Antes de prosseguirmos, fica uma breve análise etimológica dos principais nomes enumerados nas duas histórias acima:

  • Rhiannon < *rigant-onā – ‘Grande Rainha’
  • Teyrnon < *tigerno-ono – ‘Grande Senhor/Chefe’
  • Mabon < *makwo-ono – ‘Grande Filho’
  • Pwyll < *kweyslā/o – ‘Razão’ ‘Conhecimento’
  • Modron < *mātīr-onā – ‘Grande Mãe’
"Rhiannon" de Charlotte Guest.

“Rhiannon” de Charlotte Guest.

Na Irlanda, temos no “Tochmarc Étaíne” o mito de como Bóand foi mãe de Óengus. Certo dia, Nechtan – marido de Bóand – foi enviado para longe por Dagda, a dita Deusa, que estava apaixonada por Dagda, aproveitou a ausência do marido e envolveu-se com o senhor de Brug na Bóinne [Dagda]. Para esconder tal infidelidade, Dagda fez com que o tempo se esticasse e, assim, 9 meses de gestação passaram em apenas 1 só dia. De modo a lidar com a traição de Bóand, pediram a Elcmar que se tornasse o pai adotivo da criança que nasceu: Óengus Mac Óg.

De novo, uma análise etimológica:

  • Bóand < *bow-windā – ‘Branca como uma Vaca’
  • Óengus Mac Óg < *oyno-gustu- makwo- yowanko – ‘Escolhido, o Jovem Filho’
  • Nechtan < *niχto-ono- – ‘Grande Banhado’
  • Dagda < *dago-deywo – ‘Bom Deus’
  • Elcmar < *erko-māro (?) – ‘Grande como o Céu’ (“The Myths of the Gods – Structures in Irish Mythology”, pág. 10)
O rio Boyne, outrora Bóand.

O rio Boyne, outrora Bóand.

Temos, agora, todas as variantes conhecidas dos mitos associados ao solstício de inverno, o que nos permite começar a estabelecer paralelos entre eles e as suas personagens principais.

Começando com a figura feminina principal, estamos perante dois tipos: uma Deusa da Soberania com caraterísticas equídeas – Rhiannon – e uma Deusa do Rio – Bóand e Modron.
Rhiannon é fácil de interpretar aos olhos da visão Gaulesa, já figurada neste website, devido às associações aos cavalos, à classe guerreira governante e à regência da terra que é atribuída aos reis.
Modron não tem qualquer estatuto em qualquer das suas aparências, o que nos pode levar a crer que não tinha grande fama na sociedade em que estava inserida, comparativamente a outras “personagens” (ou seja, na sociedade divina). É de relembrar que isto não corresponderia à sua importância enquanto era tida como Deusa, na Idade do Ferro, já que os mitos foram registados na Idade Média.
Por outro lado, Bóand aparece como uma figura importante, apesar de não estar vinculada a qualquer simbologia guerreira ou soberana. Contudo, aparece como esposa de um Deus guerreiro ou celestial. Isto é um dos pontos que me leva a crer que pode ter havido uma divisão cultural – talvez ligada à hipotética divisão linguística Q-Celta e P-Celta, hoje pouco favorecida – que ou associava a soberania a equídeos e terra ou a cursos de água importantes (lembremo-nos dos exemplos Ibéricos de Rēvā [consorte de Rēus, que é semelhante a Taranus] e Naviā).
W. J. Gruffydd (“Rhiannon”) postula que a história de Modron teria sido, outrora, una com a de Rhiannon, sendo que, com o tempo, diferentes versões e interpretações foram surgindo. Pessoalmente, creio que esta é uma opção viável.

O marido destas Deusas é, geralmente, um Deus do Trovão/Tempestade. Rhiannon é casada com Pwyll, enquanto que Bóand é casada com Nechtan. Existe um problema quanto a Nechtan e Elcmar. Segundo a visão de Alan Ward e John T. Koch, Nechtan pode ser um outro nome e/ou alter-ego de Elcmar (“The Myths of the Gods – Structures in Irish Mythology”, pág. 10) ou Nuadu Argatlám (“Celtic Culture – A Historical Encyclopedia”, pág. 218). É de notar que o interveniente Teyrnon, numa das versões Galesas, pode ser associado a Nōdons ou a Taranus, sendo que o nome não nos dá nenhuma certeza de qual a opção correta.

No que toca às crianças nascidas, estas parecem ter atributos vagamente semelhantes entre si. Óengus parece ter sido associado à jovialidade, música, magia e vida, sendo que possuía atributos guerreiros suficientes – como uma espada que lhe foi dada por Manannán mac Lir – para ser considerado rei em Brú na Bóinne (apesar de ter enganado Elcmar para chegar a tal posto, em “Tochmarc Étaíne”).
Mabon, por outro lado, é mais ligado à caça, nomeadamente à caça do Twrch Trwyth, que Alexei Kondratiev afirma corresponder a um mito IE de caça de um “javali cósmico” (“Basic Celtic Deities”).

Temos, então, duas possíveis estruturas mitológicas, no que aos seus intervenientes diz respeito:

1

  • Pai: Deus do Trovão/Tempestade (Teyrnon, Pwyll & Melld)
  • Mãe: Deusa da Soberania (Rhiannon)
  • Filho: Deus da Juventude (Pryderi / Mabon)
  • Mãe adotiva: Deusa dos Rios (Modron)

2

  • Pai: Deus do Submundo (Dagda)
  • Mãe: Deusa do Rio (Bóand)
  • Marido traído: Deus do Trovão/Tempestade (Elcmar) ou Deus da Lei (Nechtan)
  • Filho: Deus da Juventude (Óengus Mac Óg)

Teologia II – o caso gaulês

E na Gália?
Felizmente, temos dois registos importantíssimos, sendo que um frequentemente ignorado e até desconhecido, enquanto que outro tem ganho cada vez mais fama (a inscrição de Guidizzolo).
O primeiro registo arqueológico a que me refiro é a aedicula de Castel. Nesta peça aparece a Deusa Iūno acompanhada por Minerva, os Dioskouroi, Hércules, e as Mātres (“Mythes et Dieux de la Gaule”, págs. 51, 52, 182 e 183).
Hatt corretamente interpreta Iūno como sendo Eponā, sendo que os Dioskouroi correspondem aos Gémeos Divinos nativos e Hércules – que aparece a tentar dominar Cerberos, sob uma árvore – corresponde a Ogmios; a árvore pode ser vista como uma hipotética referência à Árvore do Mundo. Ademais, Hatt vê a aedicula como representando a descida de Eponā e das Mātronās aos submundo, protegidas e/ou guiadas por Ogmios e os Gémeos Divinos. A presença de Minerva – que seria interpretada como a Deusa da Aurora e Lareira – é um mistério, sendo que Hatt não a menciona nesta sua reconstrução mítica.
Quanto à razão de tal descida, esta parece ser indicada em dedicações. Numa escultura achada em Alzey, Iūno aparece representada como estando sob a proteção do braço direito de Hércules, que a defende de Iuppiter (“Mythes et Dieux de la Gaule”, pág. 51). Isto leva-nos à dedicação feita a Iuppiter e Iūno achada perto de Castel, que data de 23 de dezembro de 246 AEC.

Aproveitando a epigrafia disponível, J.J. Hatt reconstruiu parcialmente um mito paralelo aos que foram analisados previamente (“Mythes et Dieux de la Gaule”, pág. 137): em suma, Eponā trai Taranus com um Deus do submundo, a que Hatt atribuiu [erroneamente] o teónimo Esus (Sucellos, na verdade). A razão da fuga torna-se, assim, óbvia: Taranus descobre a traição – por motivo de obter vitória sobre os demónios [como Dagda x Morrígan na Irlanda] – e decide punir a sua esposa, sendo que Ogmios é enviado para a proteger até alcançarem o mundo inferior, guiados pelos Gémeos.
O autor omite qualquer criança nascida do encontro, mas é óbvio que Eponā deu à luz a Maponos. Quanto à sua ligação com as Mātronās, atrevo-me a postular que Maponos lhes foi entregue, visto que era uma criança ilegítima e não desejada pelo Rei dos Deuses, sendo que passaram a ser suas mães adotivas.

Assim sendo, temos a seguinte estrutura mitológica, que é praticamente híbrida das versões estabelecidas previamente neste texto:

  • Pai: Deus do Submundo (Sucellos)
  • Mãe: Deusa da Soberania (Eponā)
  • Marido traído: Deus do Trovão/Tempestade (Taranus)
  • Filho: Deus da Juventude (Maponos)
  • Mãe(s) adotiva(s): Deusas Mães (Mātres/Mātronās)

Observâncias rituais

Na Irlanda as práticas de Midwinter pré-cristãs passam maioritariamente despercebidas, sendo que as mais notáveis são as de Jól/Yule, por influência das invasões Vikings. O mais certo é que Brú na Bóinne, lar da corte de Óengus Mac Óg, teve especial importância para os Celtas da Idade do Ferro irlandesa; isto pode ser concluído não só por lhe terem atribuído um nascimento invernal, assinalado pela orientação do edifício, mas também por ser lá que, mais tarde, tomou o trono; curiosamente, também foi conhecido pelo nome Brug maic ind Óic, ‘Residência de Óengus filho de Dagda’. É óbvio que o monumento não foi construído pelos Gaélicos – mas por povos do Neolítico entre 3260 e 3080 AEC – mas estes deixaram a sua marca arqueológica derivada de celebrações sazonais (“Celtic Culture – A Historical Encyclopedia”, pág. 296).

Interior de Brú na Bóinne aquando do solstício de inverno.

Interior de Brú na Bóinne aquando do solstício de inverno.

Por outro lado, é no “mundo” Britónico que o solstício de inverno tem mais importância.
A tradição da Mari Lwyd (‘Maria Cinzenta’) consiste em um crânio de égua, fixado a um poste de madeira, coberto parcialmente por um lençol branco ou xaile colorido, ocultando a pessoa que carrega a Mari. O objeto pode ser decorado com fitas coloridas, botões, fundos de garrafa e sinos.
Em suma, o ritual de passear a Mari Lwyd envolvia carregar o poste pela vila, da forma mais graciosa e fantasmagórica possível, parando em cada casa de modo a distribuir boa sorte e fertilidade. Era acompanhada por várias personagens: o Sargento, o Cabo, o Punch (‘Murro’ ‘Soco’) e Judy, que tinham papéis próprios.
Antes de ser admitida dentro de uma casa, a Mari, ou melhor, o seu portador, teria de vencer um concurso de rimas com os proprietários; se a disputa durasse muito tempo, os donos teriam de ceder e permitir a entrada de Mari Lwyd e dos seus acompanhantes. Uma vez dentro do domicílio, a Mari dançaria e assustaria as mulheres e crianças. Após tal, Judy limparia a lareira da família com a sua vassoura, de modo a banir espíritos malignos. Punch apareceria, beijando as mulheres da casa, fazendo com que Judy ficasse ciumenta e o perseguisse com vassoura em riste.
Uma vez que tudo isto termine, toda a companhia se despede com uma canção, agradecendo a comida e doações, e prossegue até à casa seguinte.
Como Koch (“Celtic Culture – A Historical Encyclopedia”, pág. 1260) e Bernard Sergent (“Ollodagos”) afirmam, é provável que este costume tenha origens pré-cristãs, tendo em conta a simbologia do crânio de égua, e as personagens que acompanham Mari. Os exemplos mais notáveis são as possíveis ligações a Deusas equinas como Eponā, Macha e Rhiannon, que além de rainhas, também estão fortemente ligadas à fertilidade da terra e da linhagem guerreira e soberana.
Koch menciona que o episódio em que é negada a Culhwch a entrada na corte do rei Arthur, em “Culhwch ac Olwen”.
É de salientar que a tradição de usar objetos semelhantes à Mari Lwyd não é uma prática existente apenas em Gales.

Mari Lwyd.

Mari Lwyd.

A sul, na Cornualha, existia a prática de construir uma Penglaz, que acompanhava os cantores de cânticos de natal até ao século XIX, que é descrita da seguinte forma por Richard Edmonds (“The Celtic and other antiquities of the Land’s End district of Cornwall”):

“(…) representada por um homem que carregava um pedaço de madeira na forma de uma cabeça e pescoço de cavalo, com um mecanismo para abrir e fechar a boca do maxilar, o ator estaria coberto com um tecido lembrando a pele de um cavalo (…)”

Uma curiosa prática relacionada a estas pode ser encontrada na Irlanda e na Ilha de Mann. Chamado, na terra dos Gaélicos, de Láir Bhán, e na Ilha de Mann como Laare Vane. Ambas as figuras têm os tradicionais crânios equinos parcialmente cobertos por um lençol ou pele de cavalo.

A Láir Bhán (< *(f)lārek-bānā, ‘Branca como uma Égua’) insere-se na tradição do Wren Day, em que os mummers conhecidos como Wrenboys eram acompanhados por um hobby horse semelhante à Mari Lwyd, prática que persiste em Dunquin em County Kerry (http://www.youtube.com/watch?v=d8vi6kuJIDw&feature=related).
Por outro lado, a Laare está associada ao ano novo secular, sendo que era acompanhada por outra conhecida como o Violinista. Após uma complicadíssima dança, chamada Cutting of the Fiddler’s Head (‘Corte da Cabeça do Violinista’), o dito cujo morreria. Contudo, ressuscita e torna-se um oráculo após entrar em contacto com a Laare Vane (“Manx Folk-Song, Folk Dance and Folklore – Collected Writings”, por Mona Douglas, págs. 5, 10 e 16).

Rito “formal” solitário ou comunitário

Creio que este rito poderá englobar cerca de dois dias: na noite prévia ao solstício, celebra-se a fuga noturna da Deusa da Soberania, enquanto que no dia propriamente dito, o nascimento do Deus da Juventude. Eis uma sugestão de ritual: [work in progress]

Como não poderia deixar de ser, ficam aqui links para outros textos sobre o solstício de inverno numa perspetiva Celta:

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Uma resposta a Medi̯ogi̯amos

  1. Pingback: Epona and her son | Journey to the stars

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