Mito do Solstício de Verão

Este mito reconstruído está explicado em maior pormenor no seguinte artigo Deus do Trovão/Tempestade que pode consultar aqui: https://celtocrabion.wordpress.com/noibioi-os-sacros/deuses/deus-do-trovaotempestade/
Esta é uma narrativa da autoria de Condēu̯i̯os Andīliχtos, que tem em conta os princípios delineados no artigo acima mencionado. Pode-se alterar os teónimos apresentados para uma maior aproximação às preferências do individuo ou grupo.

Taranus u̯ritu Carnangon etic eclungi̯on dubra Sequ̯ani̯ās

Era o primeiro Verão, mais concretamente perto da metade deste, desde que os Humanos tinham sido criados e se tinham espalhado por todo Bitus. Grannos demorava mais tempo na sua viagem pelos céus, o calor era intenso e Taranus repousava no seu distante dūnon em Albi̯os, fazendo as chuvas escassear e mantendo o seu gado celestial sob vigia.

Esquivando-se do olhar dos Deuses, inclusive do sempre vigilante olhar de Grannos, Carnangos preparava-se para deixar o mar quando este terminou a sua viagem diária. À medida que Đironā subia percorria os céus lentamente, com o seu cândido brilho timidamente iluminando o mundo por debaixo, Carnangos entrou no rio de Sequ̯anā.

Ainda a noite não tinha chegado a meio e Carnangos já tinha aprisionado Sequ̯anā, engolindo-a e mantendo-a cativa, assim como as águas.
O nosso rio, que dela depende, tinha secado completamente. Os campos de cultivo que dependiam das preciosas águas iriam secar se não fossem irrigados e as colheitas falhariam, e o gado morreria de sede e fome, pondo em risco as vidas dos nossos ancestrais.

Após Đironā retornar ao Oeste, as famílias ergueram-se em conjunto com Brigindū e ao saírem para espreitarem os campos, deram com o rio próximo completamente vazio e seco. Em pânico, vendo Grannos a erguer-se no horizonte Este, clamaram-lhe que os auxiliasse a descobrir a origem daquele desastre.
À medida que percorria os céus, vigiando todos os locais, Grannos avistou Carnangos, enroscada na origem do rio. Não havia sinal de Sequ̯anā.
Grannos chamou por Taranus e incitou os nossos antepassados a fazerem o mesmo. Os sacerdotes recolheram madeira de carvalho e acenderam um grande ae̯du, no qual derramaram cerveja enquanto imploravam pela ajuda de Taranus, entoando os hinos.

Longe, na mais alta montanha, Taranus ouviu os clamores de Grannos e dos nossos antepassados. Bastou-lhe escutar o nome de Carnangos para se enfurecer.
Ordenou a Gobannos que lhe trouxesse a Cerveja da Imortalidade (Curmi Anmaru̯aχti̯ās), que este bebeu abundantemente para se preparar para a batalha.
Pegou numa roda de ferro flamejante e na sua clava e montou o seu cavalo, cavalgando o mais velozmente possível pelos céus. Ao ouvir o ribombar do trovão e ao ver nuvens negras a aproximarem-se, Carnangos preparou-se para a batalha que se seguiria. Grannos já se estava a preparar para se ausentar, quando Taranus chegou perto da imensa Carnangos, que se ergueu para o desafiar. Taranus desceu dos céus e com o seu selvagem cavalo, espezinhou Carnangos.
A serpente resolveu fugir de volta ao oceano aproveitando a escuridão recém-formada. Abandonou, então, a origem do rio, lar de Sequ̯anā, percorrendo o seco leito em direcção ao Oeste.

Quando chegou à margem mais próxima da trebā dos nossos ancestrais, que até então tinham estado nos campos a zelar por estes a à espera do hipotético retorno das águas, fugiram para dentro das paliçadas em pânico, pedindo a protecção de Taranus. Do cimo da montanha onde Taranus se tinha colocado para avistar a serpente, atirou a sua roda flamejante em direcção a esta que foi atingida e parcialmente esmagada, retorcendo-se de dor. De seguida, libertou Sequ̯anā, regurgitando-a e escapou de volta para o oceano.

E assim foi que Carnangos foi derrotada derrotada pela primeira vez. Foi assim que Sequ̯anā e o seu rio foram libertados, e que os nossos ancestrais sobreviveram àquele Verão.

Desde então, têm sido nossas tradições de Meio do Verão (Mediosamīnos) acender um ae̯du e ofertar-lhe cerveja, erguer uma coluna de carvalho com uma escultura de Taranus no topo, espezinhando Carnangos perto da origem do nosso rio, celebrando o afugentar desta; e lançar uma roda flamejante desde o topo de um monte até ao rio, não vá Carnangos estar oculta por debaixo das águas.”

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