Simbologia

Este simples artigo refere-se, como o título indica, aos símbolos que eram usados na Gália pré-Romana e cujo uso foi preservado na época Galo-Romana, e que podem e devem ser adotados por nós Reconstrucionistas Gauleses.

Primeiramente, temos o mais popular símbolo das culturas Celtas, a tripla espiral. Este símbolo tem sido encontrado é vários achados arqueológicos, como nos exemplos seguintes:

Elmo de Amfreville

Tesouro dos Eburones

Design de moedas Gaulesas.

Phalera.

Ainda hoje não se sabe ao certo o que este símbolo representava, apesar da sua óbvia importância pan-Celta. Enquanto se pode postular que representa uma divindade que demonstre triplicidade – provavelmente Lugus – também existe a opção de representar os três mundos da cosmologia Celta.

Temos, de seguida, a roda de Taranus, ou roda do trovão (*torano-roto-taranorotos). Este era, sem dúvida, o símbolo mais famoso na Gália, tendo em conta as provas circunstanciais derivadas de achados arqueológicos. Pode ser encontrada com 6, 8 ou 12 raios; as rodas com apenas 4 raios são dúbias de interpretar, por isso deixo a hipótese em aberto.
Aqui estão alguns exemplos:

Placa C do caldeirão de Gundestrup.
(a roda não está quebrada, apenas aparece dividida a meio para não se sobrepor à imagem de Taranus)

Estatueta de Taranus.

Altar votivo Galo-Romano.

Amuleto (da região Haute-Marne).

Oferendas votivas (conhecidas como “rouelles” em França).

Como é dito no artigo Deus do Trovão/Tempestade, este é o símbolo máximo de Taranus, que é usado num mito do Solstício de Verão para derrotar um monstro serpentino que causa as secas do Verão. É, portanto, um símbolo do trovão, algo que faria sentido para os Celtas, pois as rodas dos seus carrī (carruagens) produziriam um som semelhante ao de um trovão.
Pensa-se que, tal como o Mjölnir, seria usado como um amuleto para afastar o mal, embora o cognato mais exato sejam as gromoviti znaci – ‘marcas de trovão’ – gravadas pelos povos Eslavos nas suas casas.

Seguidamente, há a suástica, cuja atestação na Gália é curiosamente frequente e que tem sido de certa forma ocultada por uma qualquer razão. É, de facto, mais comum que a tripla espiral. Tem sido encontrada em:

Pedras talhadas.

Têxteis.

Moedas dos Suessiones.

A suástica pode ter representado – em “oposição” à roda de Taranus – o Sol ou a Aurora. É possível que suásticas orientadas para direções diferentes (sentido horário e anti-horário) representassem coisas distintas. Como pode ler nos artigos Deus do Sol e Deusa da Aurora e Lareira, considero que a suástica anti-horária representa o Sol, tendo como possível prova alguns achados arqueológicos e a numismática Gaulesa e Britónica, enquanto que a suástica horária representa a Aurora, baseando-me nas cruzes de Bríg Irlandesas e no exemplo têxtil acima mostrado.
Ainda assim, o Sol é a hipótese mais viável tendo em conta as antigas representações de Val-Camonica, os achados na Grã-Bretanha e as gravuras dos castros da Galiza.

O “olho do Sol” é um nome que uso para descrever uma fígura usada em moedas Gaulesas e Britónicas para representar o Sol.

Como é explicado no artigo Deus do Sol, o Sol era considerado um olho celestial que tudo vê.

Não tão famoso, mas digno de menção, é o martelo de Sucellos.
Não têm sido encontrados muitos exemplos destes, mas são mencionados pelos melhores autores eruditos, como John T. Koch.
Apenas consegui encontrar os seguintes exemplos:

Amuletos.

Amuleto.

Crê-se que são semelhante à clava de Dagda, com relevância para a vida e a morte, mas também para ser usado como arma (no exemplo do relevo que representa Smertrios).

Por fim, temos o torque. Este adorno tem sido amplamente encontrado em quase todo o mundo Celta e em grandes números, quer como adorno em si, quer em representações artísticas.

Placa f do caldeirão de Gundestrup que representa uma Deusa de cariz ctónico.

Escultura de Carnonos.

Com base nestas representações – e nas muitas mais encontradas – é possível concluir que as figuras divinas eram geralmente representadas com um torque no pescoço, além de ser frequente encontrar representações de indivíduos mortais de estatuto elevado a usá-los. Assim sendo, podemos postular que o torque seria o sinal da nobreza e do divino, reservada à classe guerreira e aos Deuses.
No caldeirão de Gundestrup não encontramos figuras a cumprir funções possivelmente sacerdotais a usar torques, o que pode revelar que o uso era-lhes (curiosa e estranhamente) vedado, apesar da sua importância para a sociedade.

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